A 23 de Dezembro de 2003, a Assembleia Geral aprovou uma resolução que designava 7 de Abril de 2004 Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio no Ruanda em 1994, a fim de honrar a memória das vítimas, no décimo aniversário dos acontecimentos, e de promover uma reafirmação do compromisso de lutar contra o genocídio em todo o mundo. Referindo que muitos dos autores dos crimes continuavam a escapar à justiça, a Assembleia expressou a sua convicção de que, se fossem expostos e responsabilizados pelos seus actos, juntamente com os seus cúmplices, e se se restabelecesse a dignidade das vitimas, isso ajudaria as sociedades a evitar violações semelhantes.


Realizar-se-ão actos comemorativos em Kigali, Nova Iorque, Genebra e Bruxelas, bem como noutras capitais do mundo inteiro.


Em Kigali, o Secretário-Geral Adjunto Ibrahim Gambari representará a ONU nas cerimónias.
Em Nova Iorque, terão lugar uma reunião da Assembleia Geral e um debate, no qual participará um grupo de personalidades de alto nível.
Em Genebra, o Secretário-Geral proferirá um discurso importante perante a Comissão de Direitos Humanos.
Em Bruxelas, funcionários e ONG organizarão actos comemorativos.


O Secretário-Geral anunciou também que, ao meio-dia (hora local) de 7 de Abril, a ONU observará um minuto de silêncio em memória das vítimas do genocídio e convidou os Estados Membros e a sociedade civil a procederem de igual modo.

 

MENSAGEM DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU, KOFI ANNAN,
POR OCASIÃO DO DÉCIMO ANIVERSÁRIO DO GENOCÍDIO NO RUANDA
(7 de Abril de 2004)



O genocídio no Ruanda nunca deveria ter acontecido. Mas aconteceu. Nem o Secretariado da ONU, nem o Conselho de Segurança, nem os Estados Membros em geral, nem os meios de comunicação social internacionais prestaram a devida atenção aos sinais de catástrofe que se avolumavam. Oitocentos mil seres humanos – homens, mulheres e crianças – foram abandonados à mais brutal das mortes, enquanto os vizinhos se matavam uns aos outros e refúgios como igrejas e hospitais se transformavam em matadouros. A comunidade internacional não esteve à altura das necessidades do Ruanda e isso deve deixar para sempre em nós um sentimento de profundo pesar e uma enorme mágoa.

Dez anos depois, continuamos a tentar remediar o mal que foi feito. No próprio Ruanda, as Nações Unidas fazem todos os possíveis por ajudar as pessoas a recuperar e a reconciliarem-se. Estamos presentes em todo o país – removendo minas, repatriando refugiados, reabilitando centros de saúde e escolas, desenvolvendo o sistema judicial e fazendo muitas outras coisas. Na Tanzânia, um tribunal penal da ONU lavrou sentenças sem precedentes, tendo sido inclusivamente o primeiro a declarar culpados de genocídio um ex-chefe de governo e jornalistas e o primeiro a determinar que a violação fora usada como um acto de genocídio. Por meio destas e de outras medidas, as Nações Unidas estão a fazer tudo o que está ao seu alcance para ajudar os Ruandeses, em especial os membros da geração jovem que constituem o futuro do país, a construírem, juntos, uma nova sociedade.


Mas podemos estar confiantes em que, confrontados hoje com um novo Ruanda, seremos capazes de responder eficazmente e a tempo? Não podemos de modo algum estar certos de que isso aconteceria. E o risco de genocídio continua a ser assustadoramente real. Foi por essa razão que decidi aproveitar este aniversário para anunciar, perante a Comissão de Direitos Humanos da ONU, um Plano de Acção para Prevenir o Genocídio no qual esteja envolvido todo o sistema das Nações Unidas. Não podemos permitir-nos esperar que o pior tenha acontecido ou esteja a acontecer ou ter uma reacção que consista em pouco mais do que remorsos inúteis ou uma indiferença insensível. O mundo deve estar melhor preparado para evitar o genocídio e para agir com decisão para lhe pôr fim, quando a prevenção falhar.


O minuto de silêncio que vai ser observado em todo o mundo, ao meio-dia de 7 de Abril, Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio no Ruanda, é uma oportunidade para nos unirmos como não conseguimos há dez anos. Espero que este minuto envie uma mensagem que ressoe durante muitos anos, uma mensagem de remorso pelo passado e de determinação em impedir a repetição de uma tragédia semelhante. Que as vítimas do genocídio no Ruanda descansem em paz. Que, graças ao seu sacrifício, a nossa vida mude para sempre. E que todos nós ultrapassemos esta tragédia e trabalhemos para reconhecer que pertencemos à mesma família humana.